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Putin enfrenta um momento decisivo em seu projeto de poder global, marcado por isolamento internacional e dependência da China, com sanções que pressionam a economia, uma relação assimétrica com Pequim e repressão que mantém a sociedade sob controle, enquanto a transição para tempos de paz promete ser desafiadora.
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- O projeto global de Putin fica isolado e depende cada vez mais da China.
- A economia de guerra russa mostra desgaste com sanções e receitas em queda.
- A relação com a China é central, mas assimétrica, reduzindo a autonomia da Rússia.
- Internamente, a repressão controla a sociedade, mas a transição para a paz será desafiadora.
- O custo humano é alto, com muitas perdas e milhões de russos que deixaram o país, dificultando a recuperação.
Quatro anos após a invasão, o projeto de poder global de Putin encara dificuldades
Contexto internacional e isolamento
Quatro anos depois do início da ofensiva de 24 de fevereiro de 2022, a ideia de devolver a Russia ao posto de grande potência global enfrenta entraves. O objetivo de uma vitória rápida cedeu espaço a um cenário de isolamento internacional, com pressões contínuas por parte de ocidentais e aliados. A Rússia perdeu parte de seu espaço diplomático tradicional e viu a participação em fóruns multilaterais restringida. A posição de Moscou ficou marcada por sanções econômicas vigorosas, além de uma demanda internacional por responsabilidades humanitárias. Observadores apontam que o Kremlin, ao buscar legitimidade, tem enfrentado limitações que não se esperavam no início da guerra.
Dependência da China e relação assimétrica
A relação com a China se consolidou como eixo estratégico, mas com clara assimetria. A China tornou-se grande destinadora de energia e matérias-primas russas, enquanto sua indústria representa fontes de tecnologia e máquinas mais sofisticadas para Moscou. Em 2024, a China comprou a maior parte das importações russas, destacando o peso de Pequim no comércio. Por outro lado, as vendas de manufaturados russos, inclusive no setor militar, recuaram. A participação chinesa tornou-se o principal apoio externo, ainda que os chineses se apresentem como neutros, mantendo um apoio que é visto por analistas como uma relação de dependência mais do que de parceria de igual para igual. Especialistas destacam que, em termos políticos, a Rússia passou a agir mais próximo de Pequim, buscando ambições que não consegue sustentar de forma autônoma.
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Economia de guerra e transição futura
Internamente, o esforço de guerra manteve a economia com foco no setor de defesa, com altas taxas de juros e gastos massivos que sustentaram o crescimento. Enquanto isso, o país procurou mecanismos para contornar embargos, incluindo rotas de exportação não convencionais. Ainda assim, o modelo tem prazos limitados: a dependência de receitas petrolíferas e o custo humano do conflito impõem custos duradouros. Dados oficiais indicam que, em termos de produção e crescimento, a economia avançou de forma modesta, mas sinais de desgaste já aparecem, sobretudo pela queda de receitas com energia e pela inflação.
Impactos econômicos e humanos
A evolução econômica em 2025 mostrou sinais de pressão: o PIB ficou próximo de zero, em meio a déficits fiscais e inflação elevada. A economia recebeu menos dinheiro do setor de energia e enfrentou custos crescentes de vida cotidiana. No campo humano, estimativas apontam grande mobilidade de pessoas: centenas de milhares de russos migraram, buscando melhores condições no exterior. O mercado de trabalho interno também enfrentou desafios, com dificuldades para preencher vagas em diversos setores, inclusive na indústria de defesa. No front, o conflito deixou um saldo humano expressivo, com um grande número de mortos, feridos ou detidos, além do retorno de veteranos com possíveis traumas, que exigirão suporte público por anos.
Conclusão
Em síntese, quatro anos após o início da invasão, o projeto de poder global de Putin atravessa um momento de fortes pressões. O país permanece em isolamento internacional, com sanções que pressionam a economia e restringem a capacidade de ação. A relação com a China consolidou-se como eixo estratégico, porém permanece assimétrica, limitando a autonomia russa. Internamente, a repressão sustenta o controle social, mas a transição para tempos de paz promete ser lenta e desafiadora. O custo humano é elevado, com migrações maciças e perdas significativas, dificultando a recuperação. Sem uma recalibração de estratégias externas e econômicas, o objetivo de restabelecer uma posição de maior autonomia global enfrenta obstáculos estruturais duradouros. A China continuará a ser um parceiro crucial, mas não poderá substituir as necessidades de reformas internas, diversificação de parcerias e construção de uma base econômica mais estável. O caminho para uma transição bem-sucedida depende de escolhas políticas que combinem prudência externa, responsabilidade fiscal e investimento em estabilidade social.
Perguntas frequentes
- Como a posição de Putin ficou após quatro anos de guerra na Ucrânia?
Putin ficou isolado. A Rússia é vista como pária internacional. Houve suspensões e pouca presença em cúpulas ocidentais. A China assume papel importante, mas não substitui a influência perdida.
- A economia russa ainda está sob pressão?
Sim. Sanções continuam a pesar. As receitas de petróleo e gás caíram. O PIB cresceu pouco, estimado em cerca de 0,6% em 2025. A inflação subiu e o déficit público apareceu.
- Qual é o papel da China na relação com a Rússia hoje?
A China é o principal parceiro comercial. Importa muito da Rússia e vende manufaturados de alto valor. Em 2024, 57% das importações russas vieram da China. A China se apresenta neutra, mas sustenta Moscou de forma assimétrica.
- Como a guerra afeta a sociedade russa internamente?
Os protestos ficaram contidos. A repressão é forte. Muitas pessoas deixaram o país em busca de oportunidades. Há déficit de mão de obra e retorno de veteranos com desafios sociais. O país vive uma pressão por adaptação futura.
- O que pode acontecer quando o conflito terminar?
A transição para uma economia de paz será lenta. Menos dinheiro para defesa e tecnologia militar. O crescimento tende a cair sem o impulso da guerra. A China provavelmente continuará a ser peça-chave para manter a economia estável.