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Orçamento bilionário para repressão a migrantes vira foco de crise política nos EUA
O presidente Donald Trump aprovou um orçamento de US$ 175 bilhões para ampliar a repressão a imigrantes por meio do Department of Homeland Security (DHS) e do Immigration and Customs Enforcement (ICE). A verba recorde reforçou essas agências, provocou aumento de detenções e expansão de centros de detenção privados, e foi seguida por relatos de mortes sob custódia e críticas nacionais e internacionais. Um episódio fatal envolvendo agentes federais em Minnesota agravou a crise e pressiona o Senado sobre a votação do financiamento — aumentando o risco de paralisação parcial do governo.
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Principais pontos
- Orçamento bilionário fortaleceu a repressão a migrantes
- DHS e ICE receberam parcelas expressivas do pacote
- Aumento de detenções e expansão de centros de detenção privados
- Relatos de mortes sob custódia e denúncias de maus-tratos
- Caso em Minnesota intensifica a reação política e eleva risco de paralisação do governo
Orçamento de US$ 175 bilhões e impacto político
O governo destinou US$ 175 bilhões para ações de controle migratório até 2029, o que equivale a cerca de US$ 43,75 bilhões por ano durante quatro anos. Parte significativa foi alocada ao DHS e a agências de imigração, elevando tensões após a morte de dois cidadãos americanos em operações federais em Minnesota. O pacote pressiona o Senado a separar a votação do financiamento do DHS, aumentando a possibilidade de paralisação parcial do governo. Analistas também destacam o possível efeito desse pacote sobre o câmbio e as expectativas dos mercados, especialmente em relação ao dólar e às políticas econômicas internas, com reflexos na agenda macroeconômica e financeira (impacto no dólar e no mercado financeiro: entenda as implicações).
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Principais números e destino dos recursos
- Total aprovado: US$ 175 bilhões para políticas migratórias até 2029 (média anual de US$ 43,75 bilhões).
- ICE: recebeu aproximadamente US$ 80 bilhões para o período, um salto recorde em relação a 2024.
- Centros de detenção: cerca de US$ 45 bilhões destinados à expansão de instalações para manter imigrantes sem documentos até processos de deportação.
Relatórios indicam que o montante anual médio reservado às políticas migratórias supera o gasto militar de países como Itália, Canadá, Israel e Brasil, segundo bases de comparação de capacidade militar; veja uma análise comparativa sobre esses gastos.
Mudanças operacionais e efeitos imediatos
Com os novos recursos, o ICE ampliou o efetivo: a agência, que tinha cerca de 7 mil funcionários ao fim da administração anterior, contratou mais de 12 mil desde a retomada do governo republicano. O número de pessoas detidas subiu de 39 mil para 70 mil em um ano.
A ocupação em centros de detenção cresceu em paralelo ao aumento de contratos com empresas privadas do setor carcerário. Operadoras como CoreCivic e GEO Group registraram elevação de receita à medida que as vagas foram ampliadas.
Críticas, mortes sob custódia e problemas de fiscalização
Organizações de direitos humanos e institutos de políticas públicas apontam que a expansão provocou piora em garantias básicas. Documentos e levantamentos indicam relatos de tortura, dificuldades de acesso a assistência jurídica e aumento no número de mortes sob custódia: registros apontaram 31 mortes em 2025 e pelo menos 4 em 2026 até o balanço mais recente.
Pesquisadores do Brennan Center for Justice concluíram que o volume de recursos destinados ao ICE durante o atual mandato superou o orçamento anual combinado de diversas agências federais de segurança pública, elevando o papel operativo do ICE no interior do país, inclusive em estados com políticas de acolhimento.
Reação política e risco de paralisação
No Congresso, líderes democratas do Senado pressionam para separar a votação do financiamento do DHS do restante do pacote de gastos, buscando restringir atribuições e recursos das agências de imigração. A ala democrata afirma que não dará os votos necessários para aprovar a proposta na forma atual, o que aumenta a chance de paralisação parcial do governo a partir do próximo fim de semana. A divisão legislativa ocorre em meio a histórico recente de paralisações longas, gerando incerteza sobre serviços públicos e negociações orçamentárias. A disputa orçamentária se dá também em um contexto mais amplo da agenda econômica da administração, que inclui escolhas para liderança de política monetária e outros postos-chaves (nomeação para o Fed e seus desdobramentos: informações sobre a indicação ao Fed).
Ações federais após o incidente em Minnesota
Após as mortes em Minneapolis, o governo reposicionou autoridades: o chefe da Patrulha de Fronteira foi retirado da cidade e o ex-agente e conselheiro para temas de fronteira Tom Homan foi enviado para coordenar o diálogo com autoridades estaduais. A secretária do DHS, Kristi Noem, permanece no cargo apesar da pressão por mudanças, segundo comunicados oficiais.
Houve também tensão entre o governo federal e o governo local de Minneapolis, com o presidente e seus aliados criticando a postura de lideranças municipais em relação à aplicação de leis federais de imigração (confronto com a administração local de Minneapolis: detalhes sobre as acusações). Autoridades estaduais e federais afirmam buscar maior coordenação das investigações locais e federais, enquanto a controvérsia sobre táticas de fiscalização e responsabilidade continua a dominar o debate público.
Conclusão
O pacote aprovado pela administração ampliou consideravelmente a capacidade operacional do DHS e do ICE, traduzindo-se em mais detenções, expansão de centros privados e relatos alarmantes de mortes sob custódia. O episódio de Minnesota intensificou críticas sobre direitos humanos e a relação entre o Estado e empresas privadas que lucram com o encarceramento. O Senado caminha na corda bamba entre aprovar o financiamento e evitar uma paralisação do governo; as consequências práticas e políticas permanecem incertas.
Para acompanhar os próximos capítulos deste impasse, leia mais em https://finctime.com.br.
Perguntas frequentes
- O que é o orçamento de US$ 175 bilhões aprovado? É um pacote de financiamento para ações de controle migratório até 2029, totalizando US$ 175 bilhões (média de US$ 43,75 bilhões por ano).
- Quem recebeu a maior parte do dinheiro? DHS e ICE foram os principais beneficiados; o ICE recebeu cerca de US$ 80 bilhões para quatro anos. Parte dos recursos destina-se a centros de detenção e contratos com empresas privadas.
- Quais foram os efeitos na prática? Mais contratações no ICE, aumento das detenções (de 39 mil para 70 mil), expansão de centros de detenção e aumento de relatos de mortes e maus-tratos.
- Como isso afeta a política nos EUA? Há forte reação no Congresso. Democratas ameaçam votar contra o financiamento do DHS, elevando o risco de paralisação parcial do governo e intensificando tensões políticas.
- Por que há tanta crítica ao plano? Críticos apontam custos altos, impacto humanitário (mortes sob custódia, denúncias de tortura e falta de acesso a assistência legal) e favorecimento a empresas privadas que lucram com o encarceramento.