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Rebeca Gonçalves é uma astrobióloga brasileira na Mars Desert Research Station (MDRS), no deserto de Utah, participando de uma missão que simula vida em Marte. Vinculada à Universidade de Wageningen, ela estuda agricultura interplanetária e seus possíveis impactos no agronegócio e na segurança alimentar, testando o cultivo de rabanetes e tomates em solo marciano simulado e em sistemas hidropônicos, avaliando a viabilidade de bases humanas no planeta vermelho.
- Rebeca Gonçalves lidera uma expedição simulada a Marte na MDRS
- Testa cultivo de rabanetes e tomates em solo simulado e hidroponia
- Usa sementes que já viajaram ao espaço para avaliar efeitos da microgravidade e radiação
- A equipe vive isolamento com atraso nas comunicações e rotinas de base
- Dados serão analisados para auxiliar o planejamento de futuras bases em Marte
Cientista brasileira lidera testes de agricultura marciana na Mars Desert Research Station
A bióloga Rebeca Gonçalves comanda uma rotação de cinco pessoas na Mars Desert Research Station (MDRS), em Utah. Ela dirige experimentos sobre a viabilidade de cultivar alimentos em solo semelhante ao marciano, parte de um programa que busca preparar bases humanas no planeta vermelho.
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Missão e papel da pesquisadora
Vinculada à Universidade de Wageningen (Holanda), Rebeca atua como cientista-chefe nesta rotação. O trabalho combina pesquisa e avaliação da rotina da tripulação, porque o experimento também mede como o tempo de trabalho é gerido dentro da base. A MDRS recebe equipes rotativas e simula restrições e procedimentos semelhantes aos de uma missão real.
Experimentos realizados na estufa
Rebeca conduz dois ensaios principais. O primeiro compara o cultivo de broto de rabanete em solo marciano simulado com plantio por sistema hidropônico que incorpora princípios de economia circular e sustentabilidade. O segundo avalia a germinação de sementes de tomate que viajaram ao espaço, fornecidas pela Agência Espacial do Canadá, para verificar efeitos da microgravidade e da radiação. Os dados serão analisados em conjunto com o pesquisador Wieger Wamelink, na Holanda, com apoio de ferramentas de inteligência artificial para acelerar a interpretação dos resultados.
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Estrutura da base e rotina operacional
A estação reproduz várias condições de uma colônia marciana. A paisagem do Domo de San Rafael tem sedimentos ricos em óxidos de ferro, aproximando visualmente o local de Marte. A equipe realiza atividades externas com trajes simulados e sistemas de circulação de oxigênio para coletar amostras de solo. Os módulos internos lembram instalações de ficção científica, mas as conexões entre módulos usam túneis de lona não pressurizados. Antes das saídas externas, a tripulação passa por uma câmara de transição simulada.
As comunicações com o centro de controle têm atraso artificial: a equipe usa uma janela diária de contato e suporta um delay de aproximadamente 20 minutos, como nas transmissões reais a Marte.
A organização da base e o desenho dos módulos trazem lições aplicáveis ao planejamento de infraestrutura e estratégias de adaptação em ambientes extremos, sejam terrenos na Terra ou habitats isolados no espaço.
Composição da equipe e acompanhamento externo
A comandante da missão é a espanhola Mariló Torres. A tripulação inclui uma cientista indiana, um engenheiro norte-americano e um jornalista canadense. A NASA acompanha parte das medições como componente de um estudo comportamental sobre isolamento. A estação é operada pela Mars Society, que recebe apoio de figuras ligadas à exploração espacial, entre elas Elon Musk e Buzz Aldrin.
Conclusão
Na MDRS, Rebeca Gonçalves conduz experimentos que cruzam ciência e rotina de campo: testa cultivo de rabanetes e tomates em solo marciano simulado e em hidroponia, além de analisar sementes que viajaram ao espaço. Os ensaios medem germinação, crescimento e o esforço humano necessário, fornecendo dados práticos para planejar estufas e sistemas em futuras bases em Marte. A simulação também evidencia desafios operacionais e humanos, como isolamento e atraso nas comunicações — em suma, semeia conhecimento para missões reais. Esses resultados têm conexões com temas como segurança alimentar e impactos no agronegócio, inovação tecnológica e sustentabilidade.
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Perguntas frequentes
- O que a bióloga Rebeca faz na MDRS?
Ela lidera a equipe e testa cultivo de plantas em condições que simulam uma colônia marciana, usando solo simulado e hidroponia.
- O solo usado é realmente parecido com o de Marte?
É uma imitação desenvolvida para testes, com composição e óxidos semelhantes aos observados em amostras marcianas.
- Por que usar sementes que viajaram ao espaço?
Para avaliar se exposição ao espaço (microgravidade, radiação) altera germinação e vigor das plantas.
- Como funciona o isolamento e a comunicação na simulação?
A equipe vive isolada, cumpre rotinas de base e opera com atraso de cerca de 20 minutos nas comunicações, replicando condições reais de uma missão a Marte.
- Como esses testes ajudam missões reais a Marte?
Fornecem dados sobre viabilidade de cultivo local, projetos de estufas, sistemas de suporte e organização do tempo de trabalho da tripulação.