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O BRB deixou de exigir o ressarcimento imediato de carteiras suspeitas, aponta o Ministério Público Federal (MPF), e com isso manteve recursos no Banco Master, que enfrentava crise de liquidez. A investigação sugere que a manobra visou socorrer a instituição de Daniel Vorcaro e levanta dúvidas sobre governança e prudência nas operações.
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- BRB abriu mão de receber ressarcimento de forma imediata e aceitou pagamentos parcelados
- MPF diz que isso manteve dinheiro no Master para socorrer sua liquidez
- Operação envolvia compra de carteiras suspeitas e intermediação por empresa criada em 2024
- Banco Central anulou a operação e investiga as transações
- Gestores do BRB foram afastados; há investigação criminal em curso
BRB adiou ressarcimento de R$ 6,7 bilhões para manter recursos no Banco Master, aponta MPF
Resumo dos fatos
O MPF afirma que o BRB abriu mão de exigir, de forma imediata, o ressarcimento de R$ 6,7 bilhões relacionados à compra de carteiras de crédito suspeitas vendidas pelo Banco Master. Em vez de acionar cláusula contratual que permitiria recuperação instantânea, o banco estatal aceitou um distrato que parcelou os pagamentos. Esses movimentos ocorrem em um ambiente econômico no qual as variações da taxa Selic e o custo do crédito afetam diretamente a liquidez e as estratégias dos bancos.
Valores e contrapartes
O BRB pagou R$ 12,2 bilhões pela aquisição das carteiras: R$ 6,7 bilhões referentes aos direitos das operações e o restante classificado como prêmio de compra. O Banco Central identificou irregularidades e determinou a anulação da operação.
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Empresa intermediária e indícios de irregularidade
As carteiras haviam sido inicialmente compradas pelo Master de uma empresa chamada Tirreno, criada no final de 2024. Investigadores consideram que a Tirreno tinha características de empresa de prateleira e que a transação serviu para deslocar recursos. Há indícios de que o Master não pagou diretamente pelas carteiras antes de revendê‑las ao BRB.
Mudança no contrato e objetivo apontado pelo MPF
Embora o contrato previsse restituição imediata dos R$ 6,7 bilhões, o BRB firmou um distrato transferindo à Tirreno a obrigação de restituir os valores em parcelas mensais. O MPF interpreta essa escolha como uma manobra para manter o dinheiro vinculado ao Master e, assim, ajudar sua liquidez. Após a anulação pela autoridade monetária, o BRB manteve operações com a Tirreno que somaram R$ 4 bilhões, segundo a investigação.
Avaliação da conduta do BRB
O MPF aponta omissão de gestores e falhas nos controles de governança do BRB, indicando que o objetivo da operação não teria sido a compra efetiva de carteiras, mas o fornecimento de suporte financeiro indireto ao Master. Relatórios oficiais mencionam tentativa de minimizar a fiscalização do Banco Central por camaradagem entre as partes. Para entender melhor o cenário macro que envolve decisões bancárias e regulação, veja análises sobre a economia brasileira em 2026.
Depoimentos e ligações políticas
O executivo Daniel Vorcaro, então ligado ao Master, afirmou em depoimento que a instituição vivia grave crise de liquidez e dependia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Vorcaro confirmou encontros com o governador do Distrito Federal sobre a venda do banco; o governador admitiu as reuniões, mas negou tratar da aquisição. Vorcaro disse que houve apenas análise de compliance da Tirreno e que a operação foi desfeita por falta de documentação.
Desdobramentos e posições
O Banco Central liquidou o Master em novembro. O presidente do BRB à época, Paulo Henrique Costa, foi afastado e posteriormente demitido. Procurados, BRB e Master não apresentaram respostas formais às alegações até o momento.
Conclusão
Para o MPF, a alteração contratual e o parcelamento do ressarcimento configuram uma manobra que fragiliza a governança do BRB e suscita dúvidas sobre prudência nas operações, com risco legal e reputacional. A apuração judicial e administrativa seguirá definindo culpabilidades e eventuais reparações; até lá, o cenário permanece de incerteza e vigilância. Para contexto sobre como indicadores como inflação e juros influenciam decisões financeiras e risco sistêmico, consulte o guia de economia no dia a dia.
Para acompanhar os desdobramentos e análises, consulte https://finctime.com.br.
Perguntas frequentes
- O que o MPF acusa o BRB de ter feito?
O MPF afirma que o BRB abriu mão de receber R$ 6,7 bilhões de forma imediata e aceitou parcelar o ressarcimento para que o dinheiro permanecesse no Banco Master.
- Qual foi o valor envolvido?
R$ 6,7 bilhões correspondem aos direitos das carteiras; no total, o BRB desembolsou R$ 12,2 bilhões pela compra.
- Por que o BRB optou pelo parcelamento?
Segundo o MPF, a escolha visava manter recursos na conta do Master e, assim, ajudar sua liquidez.
- Que provas ou indícios o MPF citou?
O MPF apontou a cláusula que permitia restituição imediata, o distrato que transferiu a obrigação à Tirreno e negócios subsequentes com a Tirreno como indícios de intenção de socorro.
- Quais medidas já ocorreram?
O Banco Central determinou a anulação da operação e liquidou o Master; o presidente do BRB na época foi afastado e demitido. Há investigação em curso pelo MPF e pela Polícia Federal.