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O grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo no domingo, 1º de fevereiro de 2026, envolvendo as controladas Fictor Holding e Fictor Invest. A iniciativa visa reorganizar cerca de R$ 4 bilhões em dívidas, manter operações e preservar empregos. O pedido inclui solicitação de tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, com possibilidade de prorrogação, e pleiteia alongamento de prazos mantendo a intenção de quitar débitos sem deságio. Unidades operacionais como a Fictor Alimentos ficaram de fora do pedido e seguem em atividade.
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- Fictor pediu recuperação judicial para reorganizar dívidas e manter operações
- Solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias
- Unidades essenciais (ex.: Fictor Alimentos) permaneceram fora do pedido e continuam funcionando
- Grupo afirma que quitará dívidas sem desconto e busca preservar mais de 10.000 empregos
- Crise foi desencadeada pela liquidação do Banco Master e perda de confiança do mercado
Grupo Fictor pede recuperação judicial para duas controladas e anuncia reestruturação de R$ 4 bilhões
O pedido, protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo, envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest. A reestruturação abrange cerca de R$ 4 bilhões e tem como objetivos centrais preservar empregos, proteger fornecedores e manter a continuidade das operações das unidades viáveis.
Pedido e medidas de emergência
No processo, o grupo requereu tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios de recursos por 180 dias, com prorrogação prevista em lei. A Fictor busca alongamento de prazos e apresenta intenção de quitar as dívidas sem aplicar deságio aos credores.
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Empresas incluídas e excluídas
Entraram no pedido: Fictor Holding e Fictor Invest. Ficam fora: Fictor Alimentos e unidades de energia, infraestrutura e imobiliário, que seguem em atividade. A separação foi justificada como medida para proteger empresas operacionalmente viáveis e manter contratos, fornecedores e empregos.
Causa da crise de liquidez
A companhia atribui a crise a perda de liquidez decorrente da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em 18 de novembro de 2025. Na véspera, o grupo havia anunciado associação a um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos e promessa de aporte de R$ 3 bilhões para o banco — movimentações que foram objeto de debates públicos e divergências sobre a origem de carteiras vendidas ao BRB, conforme relatos sobre a acareação envolvendo Vorcaro e o ex-presidente do BRB. A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e as notícias subsequentes geraram especulações e saques em massa, comprimindo a liquidez da Fictor; episódios e depoimentos relacionados ao caso foram acompanhados pela Polícia Federal e pela imprensa (depoimento de Vorcaro à PF).
Impacto nas operações e no emprego
A Fictor afirma que negocia um plano de recuperação capaz de preservar mais de 10.000 empregos diretos e indiretos. A principal subsidiária industrial, Fictor Alimentos S.A., concentra unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro, com cerca de 3.500 empregos diretos e aproximadamente 10.000 indiretos. A empresa informa que vinha reduzindo estrutura física e quadro de colaboradores antes do pedido formal.
Fluxo de caixa e credores
Na documentação ao Judiciário, a Fictor projetou entradas futuras de R$ 691 milhões provenientes de projetos de energia, imobiliário e alimentos, com Fictor Alimentos respondendo por 87% desse total. A American Express aparece como principal credora, com crédito reportado de R$ 893,1 milhões. A maior parte dos demais credores são pessoas físicas que investiram via Sociedades em Conta de Participação (SCPs).
Reclamações regulatórias e atrasos a investidores
Atrasos em pagamentos a investidores de contratos em SCP motivaram a Associação Brasileira de Assessores de Investimento (Abai) a solicitar à CVM investigação sobre eventuais ofertas irregulares de valores mobiliários. Paralelamente, episódios de comunicação e influência sobre a opinião pública, incluindo tentativas de mobilização por meio de terceiros, atraíram apurações da PF e debates sobre o papel de influenciadores no caso (inquérito da PF sobre ataques de influenciadores).
Avaliações jurídicas e sugestões de regulação
Advogados e especialistas consultados indicam que a perda reputacional após a tentativa de aquisição do Banco Master precipitou resgates e pressão sobre a liquidez da Fictor. Entre as propostas levantadas estão maior supervisão sobre captações coletivas e estruturas como SCPs, auditoria externa obrigatória e regras mais claras para intermediários, visando maior proteção a investidores. Observadores também destacaram decisões e posicionamentos de instituições como o BRB ao longo do episódio, que influenciaram o curso das negociações e da comunicação pública (estratégias de comunicação do BRB e relatos sobre medidas adotadas pelo banco).
Conclusão
O grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial para duas controladas com o objetivo de reorganizar cerca de R$ 4 bilhões, solicitando tutela de urgência para suspender execuções por 180 dias e afirmando a intenção de quitar dívidas sem deságio. A estratégia busca preservar empregos e manter a cadeia de fornecedores enquanto o grupo negocia com credores e autoridades. O desenrolar dependerá das decisões do tribunal, dos credores e dos reguladores.
Para acompanhar os desdobramentos, leia mais em https://finctime.com.br.
Perguntas frequentes
- O que a Fictor fez?
O grupo protocolou pedido de recuperação judicial em 1º de fevereiro de 2026 envolvendo Fictor Holding e Fictor Invest para reorganizar cerca de R$ 4 bilhões e manter operações.
- Quais empresas entraram na recuperação e quais seguem fora?
Entraram: Fictor Holding e Fictor Invest. Seguem fora: Fictor Alimentos e as unidades de energia, infraestrutura e imobiliário, que continuam em funcionamento.
- Por que a recuperação judicial foi necessária agora?
A crise foi desencadeada pela liquidação do Banco Master e pela perda de confiança do mercado, que geraram resgates e aperto de liquidez após notícias sobre a operação e a prisão de Daniel Vorcaro.
- O que a Fictor pede no processo?
Tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, alongamento de prazos e negociação de um plano de recuperação com intenção de quitar dívidas sem deságio.
- Como ficam credores, investidores e clientes das SCPs?
Credores deverão negociar um plano de recuperação. Há atrasos a investidores de SCP; Abai e CVM já acompanham o caso. A American Express é o maior credor listado.