Empresas brasileiras captam dólares no exterior para driblar turbulência eleitoral – Finctime

Empresas brasileiras captam dólares no exterior para driblar turbulência eleitoral

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Esta reportagem mostra como empresas e bancos brasileiros, junto com o Tesouro Nacional, aceleram a captação de recursos em dólares no exterior. O movimento busca financiar investimentos e reestruturar dívidas, aproveitando a atratividade de mercados emergentes enquanto a taxa de juros interna permanece alta. Com a volatilidade eleitoral prevista, analistas estimam que as captações se concentrem nos primeiros meses do ano. O texto analisa o papel do Tesouro em calibrar o mercado e como investidores globais avaliam o Brasil nesse cenário. Entre os players citados estão Azul, Sabesp e bancos como Bradesco e BTG Pactual, que recorreram a títulos no exterior para reforçar caixa e alongar suas curvas de dívida.

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  • Alta taxa de juros no Brasil e apetite por mercados emergentes atraem investidores para bonds brasileiros.
  • Captações externas devem se concentrar no primeiro semestre, com previsão total entre vinte e cinco e trinta bilhões de dólares.
  • O Tesouro levantou quase quatro bilhões e meio de dólares com títulos no exterior, ajudando a definir preços para as emissões privadas.

Brasil acelera captações externas em dólares no início de 2026

Nos primeiros 45 dias do ano, empresas brasileiras, bancos e o Tesouro Nacional captaram US$ 9,2 bilhões no exterior, por meio de títulos de dívida emitidos fora do país. O montante é 95% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram levantados US$ 4,74 bilhões até 14 de fevereiro.

A movimentação reflete a atratividade de mercados emergentes, com o Brasil em destaque entre investidores globais, diante da dificuldade de financiamento em reais causada pela taxa básica de juros de 15% ao ano. Com o capital externo, as companhias podem financiar projetos produtivos, quitar dívidas que vencem no exterior ou reestruturar a dívida no país.

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Analistas avaliam que o fluxo externo deve se manter firme, mas tende a se concentrar no primeiro semestre devido à volatilidade associada às eleições de outubro no Brasil.

Números e emissões até 45 dias

Na semana passada, o Tesouro Nacional levantou quase US$ 4,5 bilhões com a emissão de um título a vencer em 2036 e a reabertura de um título de longo prazo que vence em 2056. A operação soberana funciona como referência para as captações corporativas no exterior.

Segundo o secretário do Tesouro, o mercado demonstra forte apetite pelo Brasil e há espaço para novas captações externas neste ano.

Principais emissores e o papel do Tesouro

Entre as empresas que buscaram recursos recentemente estão a Azul, com captação de US$ 1,38 bilhão para apoiar seu processo de reestruturação nos EUA; a FS Bio, com US$ 500 milhões para projetos de biocombustíveis; e a Sabesp, com pouco mais de US$ 1 bilhão para obras de saneamento em São Paulo. Além disso, emissores institucionais como Bradesco e BTG Pactual também realizaram captações internacionais.

Essas operações externas contam com o suporte de resultados de bancos e do Tesouro, que ajudam a moldar o cenário de liquidez e a calibrar curvas de juros para papéis privados.

Análise de cenário e estratégias de mercado

Analistas destacam que as captações no exterior costumam ocorrer em janelas de oportunidade, sujeitas a mudanças conforme a volatilidade política. Dados apontam que houve movimento de investidores que reduzem a exposição a ativos dos EUA, abrindo espaço para créditos de mercados com boa qualidade de crédito, como o brasileiro.

A queda dos rendimentos nos EUA diminui a atratividade de títulos norte-americanos, estimulando o interesse por mercados emergentes, o que pode enfraquecer o dólar frente a outras moedas. Em geral, as captações no exterior começam com volumes próximos a US$ 500 milhões, buscando ampliar a capacidade de financiamento.

Para especialistas, as emissões do Tesouro ajudam a criar referências de preço e liquidez para o mercado soberano, o que também facilita a precificação de títulos privados no exterior.

Perspectivas para 2026 e próximos passos

As perspectivas indicam uma faixa entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões em captações externas neste ano, com maior concentração nos seis primeiros meses. O governo pretende que o Tesouro emita até US$ 10 bilhões em bonds no primeiro semestre, como parte do Plano Anual de Financiamento da Dívida (PAF) de 2026. Essas emissões externas ajudam a manter liquidez e servem como balizamento para o preço relativo dos papéis soberanos.

Conclusão

Este cenário evidencia que o Brasil continua a atrair capital externo ao gerir de forma estratégica o custo de funding doméstico. Com juros internos elevados, a demanda por recursos em dólares se intensifica, viabilizando investimentos produtivos, a reestruturação de dívidas e o reforço de caixa para empresas e bancos. O Tesouro Nacional desempenha papel central ao emitir títulos no exterior, estabelecendo referências de preço e liquidez que ajudam a precificar papéis privados. As captações externas, ainda concentradas no primeiro semestre, devem permanecer resilientes diante da volatilidade eleitoral e da atratividade de mercados emergentes. Em 2026, a meta de levantar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões reforça a liquidez, sustenta planos de expansão e saneamento, e sinaliza um ambiente de financiamento mais estável para nomes como Azul, Sabesp, Bradesco e BTG Pactual. Em síntese, o desenho de financiamento externo do Brasil continua sendo uma ferramenta-chave para a gestão de dívida, o crescimento de investimentos e a construção de credibilidade junto a investidores globais.

Perguntas frequentes

  • O que está explicando o aumento das captações em dólares pelas empresas brasileiras no início de 2026? Os juros altos no Brasil atraem investidores de mercados emergentes. Empresas buscam dólares para investimentos, reestruturação de dívidas e pagamento de títulos no exterior. A janela de captação tende a ficar concentrada no 1º semestre por causa da volatilidade cambial e da campanha eleitoral.
  • Quem tem captado dólares no exterior de forma recente? Azul, FS Bio, Sabesp, Bradesco e BTG Pactual captaram; outras empresas também entraram no movimento.
  • Como a volatilidade eleitoral influencia o ritmo das captações? A volatilidade atrasa investimentos, então muita gente se adiantou no início do ano. O volume pode diminuir se a volatilidade aumentar.
  • Qual o papel do Tesouro Nacional nessas captações externas? O Tesouro emite títulos no exterior para criar parâmetros de preço e liquidez. Isso ajuda a precificar papéis brasileiros e mantém o apetite dos investidores.
  • Que usos as empresas pretendem dar aos recursos captados no exterior? Investimentos produtivos, pagamento de dívidas e reestruturação de passivos. Exemplos: Sabesp para obras de saneamento, Azul para recuperação financeira; bancos fortalecem capital.