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A Fictor enfrenta uma crise de liquidez depois que clientes resgataram cerca de R$ 2,1 bilhões — aproximadamente 71,38% dos aportes — e a holding acumula dívidas de R$ 4,2 bilhões. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial, aceito parcialmente pela Justiça de São Paulo, que determinou investigação sobre possível esquema de pirâmide financeira e confusão patrimonial entre empresas do grupo. Foi determinado também bloqueio de ativos que podem travar operações enquanto durarem as diligências.
- Fictor sofre fuga massiva de recursos e crise de liquidez
- Pedido de recuperação judicial aceito parcialmente pela 3ª Vara de Falências de SP
- Dívidas somam R$ 4,2 bilhões; bloqueios e arrestos acumulam impacto operacional
- Suspeitas de pirâmide financeira e confusão patrimonial entre subsidiárias
- Maioria dos credores são pessoas físicas em contratos SCP
Fictor pede recuperação judicial após saques massivos
A holding financeira Fictor protocolou pedido de recuperação judicial após intensa saída de recursos que deixou a companhia sem liquidez. Segundo a petição, até 31 de janeiro de 2026 os clientes haviam sacado cerca de R$ 2,1 bilhões; até novembro de 2025 os aportes somavam cerca de R$ 3 bilhões. A Justiça paulista aceitou parcialmente o pedido e determinou apurações sobre possíveis irregularidades.
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Crise de liquidez e decisão judicial
O pedido foi recebido com liminar pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O juiz Adler Batista Oliveira Nobre ordenou levantamento das condições operacionais das empresas do grupo, análise documental e verificação das alegações de esquema de pirâmide financeira e confusão patrimonial entre subsidiárias.
Volume de saques e picos de pedidos
Registros informados pela Fictor apontam um pico de 5.783 solicitações de resgate entre 15 e 21 de janeiro de 2026, totalizando cerca de 18.700 pedidos até o fim de janeiro. A empresa atribui o colapso à crise reputacional que acelerou retiradas.
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Perfil dos credores e natureza dos contratos
A maior parte dos credores são pessoas físicas que investiram por meio de contratos do tipo SCP (sociedade em conta de participação). As operações prometiam retornos de até 2% ao mês, com lastro em commodities agrícolas (milho e soja). Especialistas e advogados afirmam que, na prática, muitos desses contratos funcionaram como contratos de investimento coletivo e poderiam ter sido enquadrados como valores mobiliários sob supervisão da CVM.
Ações cautelares e bloqueios
A Fictor informou que enfrenta ações individuais de credores com pedidos de arresto e outras medidas cautelares — valores acumulados que a petição indica como relevantes — e que houve bloqueio de R$ 150 milhões nas contas do grupo em razão do descumprimento de obrigações contratuais com uma empresa de cartões de crédito. Esses bloqueios e eventuais arrestos (havia pedidos acima de R$ 800 mil) podem complicar o fluxo de caixa e o plano de recuperação.
Conclusão
A Fictor está diante de uma crise de liquidez severa, com R$ 2,1 bilhões resgatados (cerca de 71% dos aportes) e R$ 4,2 bilhões em dívidas. O processo entrou no Judiciário e será acompanhado por diligências que apuram pirâmide financeira e confusão patrimonial; cortes de ativos e medidas cautelares já afetam a operação. A expectativa para credores e investidores é de um processo longo, com prestação de contas, possíveis arrestos e negociações no plano de recuperação. A atuação da CVM e dos reguladores será determinante para o desfecho.
Para acompanhar os desdobramentos, leia mais em https://finctime.com.br.
Perguntas Frequentes
- O que provocou a crise na Fictor?
A saída massiva de clientes: cerca de R$ 2,1 bilhões resgatados até 31/01/2026 — 71,38% dos aportes — após perda de confiança e um pico de pedidos de retirada.
- Quais são as dívidas e o pedido feito pela empresa?
A Fictor declara dívidas de R$ 4,2 bilhões e pediu recuperação judicial, aceito parcialmente pela Justiça de São Paulo.
- O que a Justiça determinou até agora?
Liminar parcial da 3ª Vara de Falências de SP: levantamento das companhias, checagem documental e investigação de eventuais irregularidades; bloqueio de R$ 150 milhões já foi determinado.
- Há suspeita de pirâmide ou problemas com os contratos SCP?
Sim. A Justiça ordenou apuração de alegações de pirâmide financeira e confusão patrimonial. Especialistas dizem que muitos SCPs poderiam ter sido tratados como valores mobiliários, o que envolveria a CVM.
- O que os credores e clientes podem esperar?
Um processo longo com possibilidade de arrestos e bloqueios; resgates tendem a ficar lentos. Haverá prestação de contas e negociações no plano de recuperação judicial.